O
céu ostentava seu humor fechado esta tarde.
Já passava das seis e o vento forte
vazia as arvores farfalharem de uma forma que poucas pessoas param para
escutar. Os poucos raios de sol que se lançavam sobre as pedras, ferro e
asfalto construíam uma visão que não se mostrava todos os dias: Somente aqueles
que apreciam a beleza da solidão possuem o privilégio de contemplar tamanha
plenitude de uma cidade que não mais existe em si ou para si, mas que dia e
noite assiste os outros desenrolarem suas vidas sem reservar para seu chão o
devido respeito.
Carlos
possuía esse respeito, e nada lhe dava mais prazer do que a solidão de suas
caminhadas de domingo.
Gostava
do som que as arvores faziam, do vento que lhe amenizava o calor e gelava o
suor, da visão dos raios vívidos de sol que o brindavam com a paisagem de ruas,
casas e prédios para os quais ninguém mais olhava. Mesmo agora, com a luz
pálida do crepúsculo, sentia uma felicidade tão sublime que por vezes confundia
com a tristeza melancólica do fim de um dia ao silencio da chuva.
Carlos
amava a sua cidade e se sentia muito grato que poucos o fizessem. Gostava de se
sentir sozinho nesses dias.
Carlos
amava a solidão e a solidão o amava.
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