domingo, 31 de janeiro de 2016

Passeio de domingo



O céu ostentava seu humor fechado esta tarde. 
Já passava das seis e o vento forte vazia as arvores farfalharem de uma forma que poucas pessoas param para escutar. Os poucos raios de sol que se lançavam sobre as pedras, ferro e asfalto construíam uma visão que não se mostrava todos os dias: Somente aqueles que apreciam a beleza da solidão possuem o privilégio de contemplar tamanha plenitude de uma cidade que não mais existe em si ou para si, mas que dia e noite assiste os outros desenrolarem suas vidas sem reservar para seu chão o devido respeito.
Carlos possuía esse respeito, e nada lhe dava mais prazer do que a solidão de suas caminhadas de domingo.
Gostava do som que as arvores faziam, do vento que lhe amenizava o calor e gelava o suor, da visão dos raios vívidos de sol que o brindavam com a paisagem de ruas, casas e prédios para os quais ninguém mais olhava. Mesmo agora, com a luz pálida do crepúsculo, sentia uma felicidade tão sublime que por vezes confundia com a tristeza melancólica do fim de um dia ao silencio da chuva.
Carlos amava a sua cidade e se sentia muito grato que poucos o fizessem. Gostava de se sentir sozinho nesses dias.
Carlos amava a solidão e a solidão o amava.

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